segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O livro que só tinha uma página.

Um belo e rejuvenescedor abraço de mãos conta a história. Todas as histórias de guerra são levadas a cabo por um gesto de mãos. Hitler conquistou as massas com o gesto tirano; o tempo certo de disparar é feito pela contagem decrescente, descendente de dedos; a beleza da guerrilha anárquica tem o seu modo de perceber uma palma com 5 saliências. E foi nesta cidade anarquista, silenciada na guerra que foram disparados, ao som de rosas desabrochando que se percebeu, que apenas estávamos sós, rodeados de nada e de uma multidão curiosa. (Também esses tiveram direito a um pequeno gesto).
Prontamente foram colocados frente a frente dois revólveres vazios, cheios de balas que não feriam, apenas venciam o espaço, fazendo morrer no esforço de tentar. Ambos não hesitaram em disparar, em defesa ou em mútuo ataque. O cheiro do disparo foi intenso, tão intenso que ainda hoje se sente no gatilho. Ambas se uniram num acto inconsciente. Era como estar paralisada dos pensamentos, e apenas o teu corpo se movesse, não detendo algum controlo, sem notar o descontrolo e desejando sentir os baques fortes do granizo na pele. Uma dor vinda do nada, vinda da perfeição que nos guiava à breve e eterna proximidade.
Nunca mais senti esta proximidade, não mais senti as mãos fartas do corpo, o chão por cima de tudo o que de mim se pode-se adjectivar, sem beleza, sem palavras. Apenas o silêncio, esse que nos dava os beijos de terra, o fogo farto no peito, o cruzar de épocas em que se confundiam o passado e o irreal, talvez fosse o futuro. Lembra-me um sonho, faz-me questionar a realidade ou a verdade.
Seja como for, passou.

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