domingo, 15 de maio de 2011

Tempo da História

Não consigo adormecer. Estou exausta, mas não me deixas fechar os olhos.
As dores inflamam-me a voz e o desejo, o corpo.
Não consigo adormecer, só porque suplico por mais.
Vergonha não dorme em mim. Apenas dorme o suor e os longos bafos precipitados.
Brinca comigo o toque, o toque que ansiei que não mais me tocasse.
Mas eu quero que não pare de tocar. Quero mais, só assim venço o cansaço.
E rebolamos. Oiço as tuas provocações, os incitamentos que me procuram em estado puro.
E encontra-las. Escondidas por baixo de gemidos de dor, dor que não sinto e que procuro que me atulhe mais e mais.
Em esforço tento, em esforço morro, por me libertar de uma opressão física sufocante.
Só me debato para ficar presa de novo, para sofrer com teu ímpeto afecto.
A luta já nos cega, já só podemos usar o tacto como motor de busca e
Repito as tuas palavras de provocação. Puxo-te o cabelo sem pensar na dor. Gosto de te ouvir gritar, gosto que não te fiques. No fim das minhas forças, vejo-me incapacitada. Tocaste-me em nu, prendeste-me o grito, deixaste-me envolta de ti. E cedi. Larguei cada fio de cabelo teu, para morrer em êxtase. E os meus braços caíram no chão. E eu embebida dessa água, da fonte que nunca parou de jorrar em força extrema, desse liquido letal a que lhe chamamos prazer, submersa. A temperatura do chão contrastava com a temperatura desse corpo que me cobria por completo e secava-me a boca. Secava-me de tal forma que só esse veneno me matava enganosamente a sede. Estava indefesa, e isso custou-me o riso de uma vitória, o gozar em cada dor tua.
E acabámos exaustos, silenciados por um sentimento de demência, abraçados no chão. Em silêncio. E assim vivemos.
Em silêncio.
E adormeci embalada no silêncio que a nós demos.

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